Há
algo profundamente autoritário na forma como parte da sociedade brasileira fala
sobre Previdência em ano eleitoral. O tema acaba sendo usado como instrumento
de mobilização política. Sempre se perde o espaço para uma conversa mais
técnica e equilibrada sobre o futuro. As motivações apresentadas nunca são
genuínas.
A
maioria dos que atacam o sistema sequer sabe do que estão falando: confundem
BPC com Bolsa Família, não entendem de custeio, confundem previdência com
assistência e equilíbrio financeiro atuarial com obtenção de lucro. Sequer
conhecem os requisitos exigidos para recebimento das prestações. Mas gostam de
opinar, repetir frases prontas como “gastos excessivos”, “fraudes
generalizadas” e “peso para o Estado”.
Tome
cuidado com este tipo de gente. No fundo, o seu interesse é unicamente
eleitoreiro. Em vez de promover esclarecimentos, preferem simplificar a
discussão em slogans fáceis e alimentar a insegurança. Os impactos sociais das
mudanças são apresentados de maneira superficial, sem considerar as diferenças
regionais, as desigualdades econômicas e as distintas realidades enfrentadas
pelos brasileiros.
São
perversos, pois toleram privilégios gigantescos nas altas estruturas do poder,
convivem com renúncias fiscais bilionárias e assistem silenciosamente a
desperdícios monumentais. Mas só entram em estado de indignação quando o
assunto é um salário-mínimo destinado a alguém extremamente pobre. Aí o
problema fiscal se torna uma ameaça para eles.
O
resultado é a crescente sensação de que o futuro da previdência social está
cada vez mais condicionado às conveniências políticas e às disputas partidárias
do que a um planejamento técnico e sustentável de longo prazo. Esse cenário
gera insegurança entre os trabalhadores e aposentados, que passam a enxergar a
previdência como um tema instável e sujeito a constantes alterações,
comprometendo a confiança da sociedade nas instituições responsáveis pela
proteção social.
Infelizmente,
este é o verdadeiro interesse de alguns.
Dr.
Alexandre Triches
Advogado
e professor

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