Nova vítima de acidente de trabalho- Ação trabalhista é movida após morte de operário em obra de Itapema
A
família do trabalhador Abson dos Santos Cardoso, 26 anos, ingressou com ação
trabalhista na Justiça do Trabalho após o acidente fatal ocorrido em uma obra
na Meia Praia, em Itapema (SC), no dia 27 de janeiro deste ano. O processo é
movido pela esposa, filha, pais, irmãs e demais familiares da vítima. A família
é representada pelo advogado Eduardo Lemos Barbosa, especialista em
indenizações.
De
acordo com a ação, Abson atuava como armador em um canteiro de obras localizado
na Rua 230, quando sofreu uma descarga elétrica durante a execução de
atividades com barras de ferro próximas à rede elétrica no entorno da
edificação. O trabalhador não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.
A
petição sustenta que havia falhas relacionadas às condições de segurança no
ambiente de trabalho, incluindo a suposta ausência de isolamento adequado da
rede elétrica e de medidas preventivas previstas nas normas regulamentadoras da
construção civil. O documento também informa que o caso foi levado ao
Ministério Público do Trabalho, que instaurou notícia de fato para apuração das
circunstâncias do acidente.
A
viúva de Abson dos Santos Cardoso, Jucilene da Silva Lyra, relata que enfrenta
dificuldades financeiras e de saúde após a morte do trabalhador. Segundo ela, a
filha do casal, Ariella, está em tratamento médico contínuo, com quadro de
anemia profunda e crises respiratórias: “Minha filha está com anemia profunda,
fazendo tratamento com medicamentos caros, e ainda aguardando atendimento pelo
SUS”, afirmou, enfatizando que a menor costuma ter crises de bronquiolite.
Jucilene
também relata preocupação com a demora nas tratativas relacionadas ao caso. “É
inadmissível toda essa demora da empresa para depositar um valor que, segundo
eles mesmos, representa a vida do meu marido. Todos os documentos já foram
enviados corretamente e, mesmo assim, continuo sem nenhuma resposta sobre o
depósito e também sobre o andamento do caso dele”, declarou.
Ainda
conforme a viúva, a situação da filha exige urgência. “A doença da minha filha
não espera. Eu não posso perder mais alguém por demora, descaso ou burocracia.
Preciso urgentemente de uma posição da empresa”, afirmou
Ao
final, Jucilene desabafou sobre a dor enfrentada pela família após a morte do
trabalhador. “Além da saudade que machuca todos os dias, existe também uma
revolta dentro do meu peito. Meu marido não morreu por escolha. Ele morreu
trabalhando, lutando pela nossa família, tentando dar o melhor para nós. O que
ficou foi uma dor impossível de explicar e uma filha de apenas seis meses sem o
pai dela”, concluiu.
A
ação foi protocolada na Vara do Trabalho de Itapema e tem como rés as empresas
MRG Empreiteira de Mão de Obra Ltda. e Impactos Empreendimentos Imobiliários
Ltda.

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